A FELICIDADE DE DAR E DE SE DAR
“A felicidade está mais em dar do que em receber”. É São Paulo quem nos recorda esta afirmação quando se despede dos presbíteros de Éfeso, atribuindo-a a Jesus. Evoca-a para a confirmar com a sua própria experiência de trabalhar com as suas mãos para prover às suas necessidades e dos seus companheiros e também para socorrer os mais desvalidos (At 20, 33-34). O Apóstolo, na sua fadigosa missão, encontrava ainda tempo para fabricar tendas e sentia satisfação nesse trabalho pois, assim, podia ajudar outros. Ou seja, sentia-se feliz porque trabalhava para ajudar.
Num ambiente de consumismo e indiferença, esta afirmação pode parecer utópica e estranha. Na nossa forma de pensar e de agir achamos que a felicidade está em receber e que dar é um sacrifício que empobrece. De facto, parece que toda a gente associa a alegria ao receber atenções ou presentes e sente dificuldade em partilhar e em se sacrificar pelos outros. A mentalidade reinante sensibiliza-nos mais para receber do que para dar. Os pais e adultos habituam, desde cedo, os mais novos (crianças, adolescentes e jovens) a receber prendas mas raramente os despertam para a partilha, atenção e ajuda aos que mais precisam. Serão mais felizes só por receber?