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Chaves de Leitura

DOMINGO III DO TEMPO COMUM
Domingo da Palavra de Deus
26 de Janeiro de 2020

Algumas chaves de leitura
para compreender Aperuit Illis

Apresentamos algumas chaves de leitura para compreender a carta apostólica do Papa Francisco Aperuit Illis, pela qual institui o Domingo da Palavra de Deus.

1. De onde vem este texto?

• Um santo inspirador: São Jerónimo «Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo.» O Papa Francisco apoia-se nesta frase de S. Jerónimo para a sua carta apostólica. S. Jerónimo é conhecido pela sua tradução da Bíblia, a Vulgata. Em2020, celebramos os 1.600 anos da sua morte. Foi no dia da festa de S. Jerónimo, a 30 de setembro de 2019, que o Papa Francisco tornou pública a sua carta apostólica que institui o Domingo da Palavra de Deus.

• Um texto: os discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35) A experiência dos discípulos de Emaús é esclarecedora. Ao longo do caminho, o próprio Jesus ressuscitado abre-lhes o espírito à compreensão das Escrituras, depois reparte o pão com eles(Lc 24, 13-35). «Se o Senhor não nos introduz nelas, é impossível compreender em profundidade a Sagrada Escritura», diz Francisco (AI 1).

• Um concílio: Vaticano II O Papa Francisco recorda o lugar eminente que o Concílio Vaticano II deu à Palavra de Deus na magnífica Constituição dogmática Dei Verbum. «A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando nunca, sobretudo na Sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis Pão da Vida, quer da mesa da Palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo» (DV 21). Este grande texto continua a sua reflexão: «As palavras de Deus expressas em línguas humanas, tornaram-se intimamente semelhantes à linguagem humana, como outrora o Verbo do eterno Pai se assemelhou aos homens» (DV13).É assim que Deus se torna totalmente acessível a nós e que «a fé bíblica se fundamenta, portanto, na Palavra viva e não num livro» (AI11). O Espírito Santo inspirou aqueles que escreveram a Bíblia, aqueles que a traduziram (como S. Jerónimo!), e também inspira aqueles que a leem(Cf. AI 10).

• Dois papas: Bento XVI convocou em 2008 um Sínodo dos bispos com o tema de «A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja». Na sequência desse sínodo, publicou a exortação apostólica Verbum Domini, que «constitui um ensinamento incontornável para as nossas comunidades (...) Por isso é bom que não falte jamais na vida do nosso povo esta relação decisiva com a Palavra viva que o Senhor não se cansa nunca de dirigir à sua Esposa» (AI 2), diz Francisco. ... e o próprio Francisco! Desde a sua primeira exortação apostólica, Evangelii Gaudium(2013), o Papa Francisco insistia no papel da homilia que «pode ser verdadeiramente uma experiência intensa e feliz do Espírito, um encontro reconfortante coma Palavra, uma fonte constante de renovação e de crescimento.» E por ocasião do encerramento dojubileu extraordinário da misericórdia, em2016, Francisco evocava o desejo de um «domingo inteiramente consagrado à Palavra de Deus, para compreender a inesgotável riqueza que provém do diálogo permanente entre Deus e o seu povo» (Misericordia et misera,nº7).

• Uma figura: Maria «No caminho do acolhimento da Palavra, a mãe do Senhor acompanha-nos. Sendo a primeira neste caminho, ela é reconhecida como «feliz porque acreditou que se havia de realizar o que lhe fora dito da parte Senhor» (cf.L 1,45)»(AI15). Um convite para acreditarmos, nós também, na realização da Palavra de Deus.

2.Porquê o Domingo III do Tempo Comum?

O Papa escolheu o terceiro domingo do tempo comum – em2020, 26 de janeiro–porque é um momento do ano «em que somos convidados a reforçar os laços com a comunidade judaica e a rezar pela unidade dos cristãos» (AI 3). Todos os anos a Semana de oração pela unidade dos cristãos tem lugarde18 a 25 de janeiro. Mas há mais do que uma coincidência de datas: «Celebrar o Domingo da Palavra de Deus exprime um valor ecuménico, porque a Sagrada Escritura indica àqueles que se põem à escuta o caminho a seguir para atingirem uma unidade autêntica e sólida.» (ibidem) É isso que nós devemos viver: «A Bíblia é o livro do povo do Senhor que, escutando-o, passa da dispersão e da divisão à unidade. A Palavra de Deus une os crentes e faz deles um só povo.» (AI4)

3. Como viver este domingo?
O Papa Francisco deseja que o Domingo da Palavra de Deus seja vivido como um dia solene. E fornece algumas pistas para isso.

o Pôr em realce a Palavra «Será importante que, na celebração eucarística, se possa introduzir o texto sagrado, de forma a tornar evidente para aassembleia o valor normativo que a Palavra de Deus possui.» (AI 3)

o Cuidar especialmente da proclamação «É fundamental fazer todos os esforços necessários para formar alguns fiéis a fim de que sejam verdadeiros anunciadores da Palavra com uma preparação adequada.» (AI 3).

o Adaptar a homilia «Os pastores têm em primeiro lugar a grande responsabilidade de explicar e de permitir a todos compreender a Sagrada Escritura, de a tornarem acessível à sua comunidade, de fazerem entrar em profundidade na Palavra de Deus, numa linguagem simples e adaptada.» (AI 5)4. Convidar a abrir o Livro «A Bíblia não pode ser apenas o património de alguns. Ela pertence, em primeiro lugar, ao povo convocado para a escutar e se reconhecer nessa Palavra.» Não se pode, portanto, «monopolizar o texto sagrado reservando-o para certos círculos ou grupos escolhidos.» (AI 4)

o Convidar a ler a Palavra. Confiar talvez a Bíblia, ou um dos seus livros, a toda a assembleia, a fim de pôr em destaque a importância de «continuar a leitura na vida quotidiana, de a aprofundar e de rezar com a Sagrada Escritura, com uma referência especial à Lectio Divina.» (AI3) A Bíblia é o livro de todos.

4. Palavras dirigidas aos pastores…e talvez a todos
Como faz muitas vezes, Francisco dirige palavras em particular aos pastores, mas talvez todos possam ouvi-las com proveito.«Para muitos dos fiéis, observa ele, (a homilia) é a única ocasião que eles têm de captar a beleza da Palavra de Deus e de a verem em referência à sua vida quotidiana. Por isso é preciso consagrar o tempo necessário à preparação da homilia. Não se pode improvisar o comentário das leituras sagradas. Quando paramos para meditar e rezar sobre o texto sagrado, somos capazes de falar com o coração para atingirmos o coração das pessoas que escutam, para exprimir o essencial que é recebido e que produz fruto. Não nos cansemos nunca de consagrar tempo e de rezar com a Sagrada Escritura, para que ela seja acolhida “como aquilo que ela é realmente, não uma palavra humana, mas a palavra de Deus” (1Ts2, 13).» A homilia deve fazer a ligação com a vida das pessoas: «Com efeito, para muitos dos nossos fiéis é a única ocasião que eles possuem para captar a beleza da Palavra de Deus e de a verem em referência à sua vida quotidiana.» (AI 5)

5. E depois de 26 de janeiro?
Se o Domingo da Palavra de Deus é essencial, não deve ser um momento vivido «uma única vez por ano», mas de facto prolongado «todo o ano, porque temos uma necessidade urgente de nos tornarmos familiares e íntimos da Sagrada Escritura e do Ressuscitado, que não cessa de repartir a Palavra e o Pão na comunidade dos crentes. Cristo Jesus, através da Sagrada Escritura, bate à nossa porta; se ouvirmos e abrirmos a porta do nosso espírito e a do nosso coração, então ele entrará na nossa vida e permanecerá (cf. Ap 3,20).» (AI8) Aqui temos um convite para escutarmos a palavra do Senhor, tanto na ação litúrgica como na oração e na reflexão pessoal. E a escuta da Palavra também leva à prática da misericórdia. (cf. AI 13)

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