Os dois Papas vão ser canonizados no domingo. Antigos secretários contam como foi viver grande parte da sua vida ao lado de um santo.
Os dois antigos secretários dos Papas João Paulo II e João XXIII recordaram, esta sexta-feira, os dois homens cuja santidade vai ser agora proclamada pela Igreja Católica.
Loris Capovilla e Stanislaw Dziwisz são cardeais, mas viveram grande parte da sua vida ao lado de um santo. Ambos foram secretários particulares de um Papa que será canonizado no domingo.
Hoje com 99 anos, o cardeal Loris Capovilla, secretário de João XXIII, recorda-o como um homem bom, com sorriso de criança.
“O Papa João tinha 81 anos e seis meses, mas eu não vi morrer um velho, vi morrer uma criança, porque tinha uns olhos esplêndidos, com o fulgor das águas baptismais e tinha um sorriso nos lábios que era a bondade que sai do profundo do coração”, afirma o cardeal Loris Capovilla.
Também Stanislaw Dziwisz tem muito para contar. O actual arcebispo de Cracóvia foi secretário de Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, durante 39 anos e uma das facetas que mais destaca é o modo como ele viveu o sofrimento.
“Era um homem marcado pelo sofrimento, toda a sua vida. Quando era jovem, perdeu a mãe e o irmão; depois, quando era estudante e seminarista, perdeu o pai e ficou sozinho. Sofreu tanto”, sublinha.
“Recordo-me bem, quando foi o atentado, na praça de São Pedro. Eu fiquei dentro da ambulância com ele. Estava ainda consciente e ouvi que rezava em voz baixa pelo homem que tinha disparado. Não sabia quem era, mas já o perdoava e ofereceu todo esse sofrimento pela Igreja e pelo o mundo”, conta o cardeal Stanislaw Dziwisz.
O modo de rezar de João Paulo II, a sua capacidade de escuta e de diálogo e o sentido que deu à velhice são sinais de santidade que deixam marcas para sempre.
A poucas horas da festa de canonização, entretanto, os dois retratos gigantes dos dois Papas já estão pendurados na fachada da Basílica de São Pedro, ambos com capa vermelha, com auréola, em fundo azul.
Aura Miguel – jornalista da Renascença